Em discurso de posse na ABL, Cacá Diegues alerta para tempos de polarização e vulgaridade

RIO – Um Petit Trianon lotado assistiu  na noite desta sexta-feira a posse do cineasta Cacá Diegues, na cadeira 7 da Academia Brasileira de Letras (ABL). Eleito em agosto do ano passado, ele sucede, agora oficialmente, ao também cineasta Nelson Pereira dos Santos, morto em abril de 2018.

Cacá é um artista que “capturou parte essencial do imaginário brasileiro com seu espírito irônico e plural”, discursou o presidente da ABL Marco Lucchesi. Já para o acadêmico Geraldo Carneiro, que fez o discurso de recepção, Cacá deu “uma resposta aos tempos negros da ditadura militar”, fazendo de seu cinema “um lugar de celebração da vida e da cultura brasileira”.

Em seu discurso de posse, Cacá falou do seu início no Cinema Novo, movimento que ele define como “a chegada do modernismo no cinema”. A sua geração, lembrou o cineasta, queria não apenas fazer um cinema para a nação, mas também uma nação de cinema.

“Agora, os tempos são outros”, disse o cineasta e colunista do GLOBO. “Temos sofrido um vendaval de paixões polarizadas e histéricas. Há um desejo latente de valorizar a vulgaridade e o homem dito “normal”, aquele que só reproduz os piores valores de nossa ignorância, sem sonhos nem fantasias, num horizonte sombrio e sem surpresas. A criação, hoje, corre o risco de se tornar prisioneira dessa consagração da platitude, onde o único valor reconhecido e respeitado é o da morte elevada a uma desimportância consagradora”.  

Finalizando a solenidade, Carneiro disse Cacá se destacou como um cineasta capaz de juntar cinema e poesia. “Mas parece que seu destino é mesmo o de fundir o cinema e a poesia, disse Carneiro. “Por mais que a realidade seja sua parceira, seu tempo é sempre o tempo da utopia”, finalizou ele.

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