Suécia avalia reabrir inquérito contra Julian Assange por acusações de estupro

A investigação de uma acusação de estupro contra o cofundador do Wikileaks Julian Assange, de 47 anos, pode ser retomada na Suécia.

Promotores do país disseram que estão reexaminando o caso a pedido da advogada Elizabeth Massi Fritz, que representa a suposta vítima e disse que fará “tudo o que for possível” para reabrir a investigação.

Assange recebeu asilo na embaixada do Equador em Londres, no Reino Unido, por sete anos e foi preso na quinta-feira.

Ele buscou refúgio ali em 2012 para evitar sua extradição para a Suécia após ser acusado de abuso sexual. Mas o Equador retirou abruptamente seu asilo e chamou a polícia britânica para prendê-lo.

Os Estados Unidos também querem sua extradição por seu envolvimento em um dos maiores vazamentos de segredos do governo americano, em 2010.

Assange, que é de origem australiana, é acusado de conspiração para invadir computadores nos Estados Unidos. Se condenado, pode ser setenciado a até cinco anos de prisão.

Após a sua prisão, ele foi levado para um tribunal de Londres e considerado culpado de não ter comparecido perante a corte quando convocado após a Suécia pedir sua extradição. Ele pode ser preso por até 12 meses por essa acusação.

A Organização das Nações Unidas (ONU) pediu que seu direito a um julgamento justo seja respeitado durante qualquer processo de extradição.

Sobre o que é a investigação sueca?

Assange foi acusado de estupro e outros crimes de natureza sexual por duas mulheres, após uma conferência do WikiLeaks na capital sueca, Estocolmo, em 2010. Ele sempre negou as alegações, dizendo que o sexo foi consensual.

Os promotores suecos desistiram da investigação de estupro em 2017, porque não puderam prosseguir enquanto ele permanecia na embaixada equatoriana.

Assange também já havia sido investigado anteriormente por abuso sexual e coerção ilegal, mas esses casos foram encerrados em 2015, porque os crimes haviam prescrito.

Os promotores vão agora reexaminar o caso de estupro para decidir se o retomarão antes que o prazo prescricional se esgote, em agosto de 2020.

Massi Fritz, advogada de uma das acusadoras, disse que a prisão foi surpreendente, mas que era o que ela e sua cliente esperavam que ocorresse desde 2012. “Nenhuma vítima de estupro deveria esperar nove anos para que a justiça seja feita”, disse ela.

O que os EUA querem com Assange?

Uma audiência sobre uma possível extradição de Assange para os Estados Unidos deve ser realizada em 2 de maio.

O Departamento de Justiça americano o acusa de conspirar com a ex-analista de inteligência Chelsea Manning para cometer “um dos maiores vazamentos de informação confidencial da história dos Estados Unidos”.

Manning, de 31 anos, foi presa em 2010 por divulgar mais de 700 mil documentos secretos, incluindo um vídeo em que soldados americanos matavam civis a partir de um helicóptero no Iraque.

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