Municipal

Atualizado em 09/11/2018 10:15

BASTIDORES FERVEM: Guerra na Câmara de Santa Rita esquenta o clima na disputa pelo comando da Casa

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A guerra se instalou na Câmara Municipal de Santa Rita.

Sua origem reside lá no longínquo 31 de maio de 2017, com a reeleição do presidente Gustavo Santos para o comando da Mesa Diretora no biênio 2019-2020.

Para que isso pudesse se tornar realidade foi preciso que o plenário da Casa Prefeito Antônio Teixeira cassasse a eleição de Anésio Miranda, levado teoricamente de volta ao cargo na mesma sessão que elegeu Gustavo, no dia 1º de janeiro do ano passado.

Com a  nova eleição, assim ficou a composição da Mesa para o próximo biênio:

Presidente: Gustavo Santos

1° Vice-presidente: Josa da Galinha

2° Vice-presidente: Sebastião do Sindicato

1° Secretário: Marcos Farias

2° Secretário: João Grandão

3° Secretário: Flávio Pereira

Depois disso, o clima hegemônico da bancada que elegera ambos (Gustavo e Anésio) nunca mais foi o mesmo.

Deu-se, a partir de então, a largada para um corrida jurídica alucinada pelo comando do poder no parlamento mirim canavieiro, que ainda contou com o afastamento do cargo de presidente e a quase cassação de mandato de Gustavo Santos.

Num processo que mais parecia uma orquestra, o 'maestro' Anésio conduziu com precisão (assisti a tudo bem de perto, sou testemunha ocular daquela sessão fatídica) a um processo que se iniciou com o acatamento de uma denúncia, aprovação do afastamento e o início das supostas investigações que deveriam culminar com a cassação do mandato do atual presidente. Pelo assim, rezava o roteiro original dessa novela.

Segundo revela uma fonte ao blog, tudo com a anuência do prefeito Emerson Panta.

Foi apenas com uma ação do advogado da Casa, Rafael Lucena, que pediu a inconstitucionalidade do artigo do Regimento Interno da CMSR que permitiu o afastamento que, julgado pelo Pleno do Tribunal de Justiça, acabou revogado e o presidente pode retornar ao mandato e ao comando da Mesa.

Passado o tempo, Gustavo buscou refazer laços com seus 'algozes' e se alinhar ao projeto de Panta, visto que não levou adiante nenhuma de suas tentativas de se opor ao prefeito.

Na verdade, Gustavo nunca entendeu que seu fortalecimento político e sua viabilização como opção para o pleito de 2020 passava diretamente pela forma como viesse se comportar como principal opositor da atual gestão, construindo seu nome e fortalecendo sua imagem perante a população, tornando-se, portanto, figura que pudesse fazer frente ao doutor com possibilidades reais de vitória.

Mas a leitura do presidente foi exatamente o contrário e o fez navegar contra o vento que poderia levá-lo a voos mais altos.

Em vez de se fortalecer com a sua base de sustentação na Câmara e marcar seu posicionamento no pleito que findou no dia 7 de outubro, Gustavo viu reluzir luz onde não havia e buscou o caminho que achou mais fácil: o presidente, de principal opositor, anunciou apoio a Jane Panta com elevados elogios a Emerson, desfazendo toda mística de carrasco que o prefeito carregava consigo exatamente pelo fato de testemunhas oculares o colocarem na cena da quase cassação de Gustavo.

Acabou a campanha, jane não ganhou e Panta anda nos cascos em busca de culpados sem jamais admitir que foi sua incompetência e seu caráter perseguidor que já mostram ao prefeito a porta da rua da prefeitura.

Como desfecho lógico de tudo que já contamos, foi posto em prática, nesta quinta-feira (8), o plano que deveria ter o fim escrito para a novela do afastamento do presidente: os vereadores partiram para, assim como derrubaram o mandato de Anésio, derrubar, agora, aquela eleição de Gustavo a que nos referimos lá no início desse texto, em 31 de maio de 2017.

O pedido para que se iniciasse o processo de anulação daquela eleição seria apresentado hoje, mas, ao saber do que ocorria debaixo do seu nariz, Gustavo se apressou e deu ordens para que toda energia da Câmara fosse desligada, segundo informa a fonte.

Ele ficou louco quando soube. Mandou desligar a energia para que não houvesse a sessão, porque sabe que se houvesse e o pedido de anulação fosse apresentado, seria aprovado e ele não seria mais o presidente a partir do ano que vem, disse a fonte.

O clima esquentou, houve bate-boca e quase foram às vias de fato. A coisa não piorou por causa da turma do deixa disso.

Sem alternativa, sem possibilidade de realizar a sessão e para não darem início a outra guerra jurídica interminável, os parlamentares que comporiam a próxima Mesa Diretora resolveram dar um ultimato e aguardarão a próxima sessão para darem seguimento ao pedido de anulação da eleição. A outra opção é que todos renunciem à chapa eleita, fazendo com que toda eleição seja anulada, obrigando o parlamento a realizar um novo pleito. Assim trabalhará o grupo.

Paralelo a tudo isso, ainda segue tramitando a ação interposta por Anésio para reaver o comando da Casa, que poderia por fim a todo imbróglio com o julgamento do mérito da questão.

Um nome já teria sido aprovado por Panta e ungido na base, e o próximo presidente da Casa Prefeito Antônio Teixeira deve ser o vereador Cícero Medeiros (PRB), um dos parlamentares mais fiéis a Panta.

Ainda de acordo com a fonte, depois de todas as tentativas frustradas de Gustavo em demover seus colegas de renunciarem à chapa eleita, o presidente tentou chegar ao consenso através de Panta, mas sequer teria sido atendido pelo prefeito a quem declarou apoio com fervorosos elogios.

Panta, após conceder ponto facultativo nesta sexta-feira (9) e entregar o comando do município ao vice-prefeito Carimbó, se ausentou da cidade.

Perguntados sobre qual o roteiro do prefeito nestas pequenas férias, dois assessores divergiram quanto ao seu paradeiro: um afirmou que estava num resort em um Estado vizinho, outro disse que estava em São Paulo.

 

Como bem disse nossa fonte na Câmara, o prefeito lavou as mãos e deixou o presidente Gustavo sozinho na parada.

Resta saber se aqueles que renunciaram à Mesa hoje manterão seu posicionamento e, caso se confirme, como será conduzido o novo pleito.

EM TEMPO

Oficialmente, tanto o presidente Gustavo, quanto sua assessoria, informam que a falta de energia, nesta quinta-feira (8), foi ocasionada por um curto-circuito no quadro interno do prédio do parlamento.