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Atualizado em 07/02/2019 13:26

Pedido de CPI da Cruz Vermelha já nasce velho

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O que uma CPI na Assembleia pode revelar a mais do que a técnica, apuro e responsabilidade institucional do Ministério Público seria capaz de alcançar nas suspeitas que pairam sobre a relação entre a Cruz Vermelha e a gestão do Hospital de Trauma de João Pessoa?

A resposta é óbvia: nada.

Os deputados da oposição estão, claro, no direito de exercerem o precípuo, necessário e regimental papel fiscalizatório. É um direito que assiste à bancada.

Mas convenhamos. A tentativa é extemporânea.

A fumaça sobre a Cruz Vermelha da Paraíba não é nova. A oposição teve muitas oportunidades, inclusive quando era maioria e governava o Poder Legislativo, e assim não o fez.

Preferiu o barulho à providência institucional.

Patrocinar esse movimento só agora, depois que o Ministério Público do Rio de Janeiro entrou na parada e investiga formalmente as denúncias, parece um tanto fora de compasso e soa a já enfadonha tentativa de exploração política.

O que até é legítimo no jogo democrático, mas pouco convincente como argumento legislativo e social.

Sobretudo, diante de um instrumento já tão banalizado e desgastado pelo histórico de quase nenhum resultado prático, que não seja do embate partidário. E o currículo de nossa Assembleia em matéria de CPI não é dos mais eloquentes.

Por isso, tem lógica e racionalidade o tema levantado pelo deputado Manoel Ludgério, contrário a instalação, apesar de integrante do bloco oposicionista.

A oposição, a Assembleia como poder, precisa e deve acompanhar de perto todo o trabalho do Ministério Público, e até, se for o caso, solicitar colaboração, auxílio e participação.

O que o cidadão da Paraíba quer e merece mesmo é resposta clara para as eventuais dúvidas no ar, e não velhas bravatas e os eternos palanques armados.

Nem de um lado e nem de outro.