Opinião: situação na ALPB sinaliza que não acatará impeachment contra João

Os músculos do coração têm contrações involuntárias e ritmadas, não dependendo da nossa vontade para seu livre pulsar. E analisando essa “peça” que regula o fluxo sanguíneo do corpo, lembrei imediatamente do deputado federal Damião Feliciano (PDT). A lembrança foi acesa em minha mente pelo folclórico e eficaz bordão adotado pelo parlamentar, que também é médico.

Diz o slogan mais que clichê de Feliciano: “De coração para coração”, mostrando seu lado “cardiologista”. No entanto, a medicina é uma ciência complexa, na qual há a neurologia, aquela que estuda o cérebro e suas mais diversas patologias. E como todos sabem, somos passíveis das enfermidades neurológicas.

Mas saindo um pouco do mundo daqueles que vestem jalecos brancos e imergindo no cenário político que Feliciano transita com desenvoltura em cintilantes ternos de corte impecável, ficou constatado que o parlamentar cometeu uma gafe, ou, quem sabe, ato proposital.

E aqui lembro a polêmica fala do deputado pedetista proferida no último sábado. Fala essa que um fonoaudiólogo poderia “coletar” para um estudo avançado de aspectos da comunicação humana. Disse doutor Damião que os parlamentares da Assembleia Legislativa estavam tramando um golpe contra o governador João Azevêdo (Cidadania) e a vice-governadora, Lígia Feliciano (PTB), que é sua esposa.

Resultado: a “neurologia” e a “fonoaudiologia” de Damião Feliciano falharam. Nem mesmo o singelo “De coração para coração” debelou o incêndio, havendo resposta imediata dos parlamentares que possuem assento na Casa de Epitácio Pessoa.

A grita veio em formato de repúdio e declarações ácidas contra o parlamentar federal. E quando o imbróglio parecia ter cessado, uma nota conjunta de solidariedade assinada por 35 deputados destinada ao presidente da Assembleia Legislativa, Adriano Galdino (PSB), foi publicada na manhã de hoje.

E nesse maremoto de pulsos cardíacos acelerados Adriano Galdino e o líder do G11 na Casa, Felipe Leitão (DEM), deixaram claro que estão na base governista, e o pedido de impeachment protocolizado pelo deputado Walber Virgolino (Patriotas) e outros membros da oposição é legítimo, pois se trata de uma prerrogativa parlamentar, o que não significa dizer que os governistas são favoráveis ao expediente.

Para não restar dúvidas quanto à matéria, disse Leitão: “O grupo comunga que a gente sim deve analisar o pedido. Qualquer matéria que chegue aqui na Casa, nós como deputados temos que ter a responsabilidade de analisar. Ou eu posso votar qualquer projeto, só porque é do Governo, sem analisar? É o caso do pedido de impeachment que tem de 300 a 400 laudas. Nós não estamos dizendo que somos a favor do impeachment, nem eu disse nem nenhum deputado disse isso. Nós apenas temos a prerrogativa de pelo menos ler e estudar, ver o conteúdo da peça formulada pela oposição”.

Pois bem, vou agora finalizar essa constatação com uma rima pobre e sofrida equação: “De coração para coração”, ao que tudo indica houve um erro na fala de Damião. Ela trouxe mais estrago que união.

Eliabe Castor

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