Passaram quase quatro anos sangrando o governo, batendo em Lula, fazendo oposição e, em muitos momentos, votando contra matérias defendidas pelo Palácio do Planalto. Agora, na reta final para as eleições, alguns deputados federais paraibanos descobriram uma súbita simpatia pelo presidente da República.
A explicação política está diante dos olhos. Lula continua demonstrando enorme força eleitoral no Nordeste. Levantamentos divulgados nesta semana mostram o petista liderando nos nove estados da região, cenário que transforma sua imagem num ativo cobiçado por candidatos que até pouco tempo faziam questão de manter distância do governo.
É aí que entra o oportunismo político. Não aquele que precisa ser presumido sobre a intenção íntima de cada parlamentar, mas o que pode ser observado na mudança conveniente de discurso. Quando Lula era alvo preferencial da oposição, era fácil bater. Agora que chegou a hora de pedir voto numa Paraíba fortemente lulista, aparecem os acenos, os elogios, as fotografias e as tentativas de pegar carona na popularidade do presidente.
Só que mandato deixa rastro. Está tudo registrado: votos na Câmara, discursos, entrevistas, postagens e posicionamentos públicos. Quem passou quatro anos dando na goela do governo não pode simplesmente vestir uma camisa nova em período eleitoral e esperar que todo o passado seja apagado por uma fotografia ou por uma declaração conveniente.
A eleição de 2026 vai produzir muitos lulistas de última hora na Paraíba. O discurso pode mudar rápido. O histórico, não. E é justamente nele que está a medida mais segura para compreender quem esteve ao lado do governo durante o mandato e quem somente descobriu as virtudes de Lula quando percebeu que seu nome poderia render votos.

