O Ministério Público Eleitoral (MPE) ingressou com uma Ação de Impugnação de Registro de Candidatura contra o presidente da Câmara Municipal de João Pessoa, Valdir José Dowsley, o Dinho (MDB), candidato a deputado estadual nas eleições de 2026.
Os detalhes do pedido estão sob sigilo e têm como base elementos de uma Ação Penal Eleitoral de 2024, que também tramita em segredo de Justiça na primeira instância da Justiça Eleitoral.
Apesar do sigilo, o Política da Paraíba apurou que a impugnação está relacionada às investigações da Operação Livre Arbítrio, deflagrada pela Polícia Federal em outubro de 2024 para apurar a suposta influência de uma facção criminosa nas eleições de João Pessoa.
Na ocasião, Dinho foi um dos alvos da operação, teve o mandato afastado temporariamente e passou a utilizar tornozeleira eletrônica. Ele também foi proibido de frequentar os bairros de São José e Alto do Mateus.
Segundo as investigações, o vereador era suspeito de manter ligação com integrantes da facção Nova Okaida que atuariam nessas regiões. A operação investigou possíveis crimes de organização criminosa, violência para coagir o voto, ameaça, lavagem de dinheiro e peculato.
Entre os nomes citados nas investigações estão Josevaldo Gomes da Silva e Pollyanna Monteiro Dantas dos Santos. Ambos também foram alvos da operação. Josevaldo, então conselheiro tutelar, teria mantido proximidade com Dinho e participado de um grupo de mensagens ligado à campanha do vereador.
A Polícia Federal também apontou uma relação política entre os dois. Segundo a investigação, Dinho teria apoiado Josevaldo na disputa pelo cargo de conselheiro tutelar, enquanto teria recebido apoio dele durante a eleição para vereador.
Pollyanna, por sua vez, foi apontada pela PF como uma pessoa que teria atuação no bairro São José e supostamente participado de ações de coação de eleitores e compra de votos em favor de Dinho.
Um dos elementos citados pela investigação foi uma conversa encontrada no celular de Pollyanna com um homem ligado ao tráfico. Na ocasião, ao ser questionada sobre qual candidato o grupo apoiaria, ela teria encaminhado uma foto de Dinho.
A PF interpretou o diálogo como um possível indicativo de que integrantes da organização criminosa estariam atuando para influenciar eleitores em favor do vereador.
Dinho nega as acusações e, à época da Operação Livre Arbítrio, afirmou ser vítima de “ilações maliciosas”.
Agora, os elementos reunidos naquele caso passaram a integrar a discussão eleitoral sobre o registro da candidatura de Dinho à Assembleia Legislativa da Paraíba. O pedido de impugnação será analisado pela Justiça Eleitoral, que decidirá sobre a possibilidade de registro da candidatura.
Até o momento, os detalhes específicos apresentados pelo MPE permanecem sob sigilo.

